Nada como parar dois minutos para atender certas vozes que volta e meia te buscam os ouvidos. São nesses raros e caros momentos, que se descobrem os valores que podem te nortear na jornada.
A sábia voz me disse: " Pobre daqules que não conseguem voltar." E me peguei pensando sobre o real sentindo do retorno. Me vi fazendo um passeio no museu da minha curta jornada, e descobri, ao revisitar meus recortes, minhas telas, meus jornais antigos, que sempre tenho retornado.
A cada página lida, um déja-vu. E logo percebi o que a sábia voz quisera dizer-me. Percebi também que ao revisitar-me, tive grandiosas oportunidades de recomeçar, da forma certa, da forma errada, por outras vias ou pelas mesmas. Mas sempre recomeçar.
Aos poucos, percebi que a maturidade que deveria vir com a idade biológica, quase sempre chega com as experiências, com o passar dos dias e das pessoas que passam por nós. Então lancei aquele olhar meio tímido para dentro de mim e vi: minhas experiências me envelheceram, positivamente, é claro. Hoje tudo é mais leve!
Descobri que tenho resolvido minhas questões de forma clara, que consigo, já, dizer não. Que meus medos só precisam de mim para desaparecerem, que minhas angústias desconstroem-se com uma boa conversa. Que minha família, outras vezes se me pareceu tão imperfeita, hoje, sobretudo, me parece um lugar de contrários que se complementam, mais do que isso, o meu lugar. Para onde sempre quero e preciso voltar.
Que meus amigos podem sim, esperar de mim algo diferente do que eu espero deles. E isso não os minimiza, só nos torna diferentes. Afinal, somos humanos, nossa textura pode ser parecida, mas em nossa essência, Ele, sabiamente, deu-nos uma de cada, para que os reencontros fossem grandes surpresas.
Entendi que meus pais tem tido fundamental importância nesse caminho. São contrários que tem se complementado por décadas e décadas, plantando valores e lições que só se encontram nesse jardim chamado amor incondicional.
E senti como é bom ter histórias para contar, lembro de como adoro ouvir meus pais falarem das suas. Engraçadas, tristes, histórias. E pedi ao Grande Mestre que me possibilite isso, um dia poder também contar as minhas. Pois a vida é isso, sem dúvida, ter uma grande e boa história para contar.
Muita Luz!


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